Advogado Zola Bambi denuncia novas ameaças de morte antes de audiência do caso Juliana Cafrique
O advogado angolano e defensor dos Direitos Humanos, Zola Ferreira Bambi, denunciou estar sob ameaça de morte por indivíduos não identificados, após receber uma mensagem de carácter intimidador no momento em que se dirigia ao Tribunal para participar na audiência do processo relativo à morte de Juliana Cafrique, quitandeira que terá sido vitimada por um agente da Polícia Nacional.
De acordo com o causídico, a mensagem deu entrada momentos antes do início da sessão do julgamento e representa a segunda ameaça contra a sua integridade física no âmbito da sua actuação em processos de elevada sensibilidade. Zola Bambi não avançou pormenores em relação à identidade dos autores nem sobre os elementos susceptíveis de determinar a origem dos contactos.
Esta ocorrência surge num contexto de forte tensão social, uma vez que a morte de Juliana Cafrique provocou indignação e reacções de repúdio por parte de organizações da sociedade civil e de activistas dos Direitos Humanos.
Zola Bambi destaca-se pela intervenção em processos judiciais de grande repercussão pública e pela defesa das garantias fundamentais, mantendo uma postura crítica em matérias de justiça e de actuação das forças da ordem em Angola.
A sucessão de ameaças suscita inquietação quanto à segurança dos profissionais do foro e dos defensores dos Direitos Humanos envolvidos em causas que envolvem agentes do Estado. Até à data, não existem dados públicos sobre a abertura de um inquérito formal para apurar a proveniência das mensagens ou para a identificação dos seus autores.
O episódio aumenta a exigência sobre os órgãos policiais e judiciais no sentido de esclarecerem os factos e garantirem a protecção necessária ao exercício livre da advocacia. A descoberta dos responsáveis permitirá determinar se estas acções visam condicionar a actividade profissional do advogado ou se assentam em razões de outra natureza.
No entanto, o julgamento do caso Juliana Cafrique prossegue sob forte acompanhamento da opinião pública, numa fase em que a morte da cidadã mantém em aberto o debate sobre a actuação dos efectivos da Polícia Nacional e a responsabilização dos implicados.
O Jornal Aordem News mantém o acompanhamento da evolução do processo e das diligências das autoridades na investigação das denúncias apresentadas.