O Banco Nacional de Angola (BNA) reduziu a taxa de juros de referência de 15,75% para 14,75% hoje, terça-feira, marcando o segundo corte consecutivo dos juros, à medida que a inflação continua a recuar.
Inflação entre os principais factores
A redução da inflação constitui um dos principais fundamentos para a flexibilização da política monetária. Quando o crescimento dos preços desacelera de forma sustentada, diminui a necessidade de manter taxas de juro muito elevadas para travar a procura e limitar novas pressões inflacionistas.
Taxas elevadas tornam o financiamento mais caro para empresas e famílias, podendo reduzir o consumo, o investimento e a expansão da actividade económica. Ao baixar a taxa de referência, o BNA cria condições para uma redução gradual do custo do dinheiro no sistema financeiro.
A medida, contudo, não significa que o crédito bancário ficará automaticamente mais barato na mesma proporção. A transmissão da taxa de referência para os juros praticados pelos bancos comerciais depende de vários factores, incluindo o risco de crédito, a liquidez disponível, as expectativas de inflação e as condições do próprio mercado financeiro.
Segundo corte consecutivo
O novo movimento reforça a tendência de flexibilização iniciada com a redução anterior da taxa de referência. A sequência de cortes sugere que o BNA está a avaliar a possibilidade de diminuir progressivamente o grau de aperto monetário à medida que os indicadores de inflação evoluem de forma favorável.
A estratégia procura encontrar um equilíbrio entre dois objectivos: continuar a controlar a inflação e, simultaneamente, evitar que condições monetárias excessivamente restritivas penalizem a actividade económica.
Crédito e actividade económica
Uma eventual transmissão da redução para as taxas praticadas pelos bancos poderá beneficiar empresas e particulares que procuram financiamento, embora os efeitos tendam a surgir de forma gradual.
Para as empresas, juros mais baixos podem reduzir o custo de financiamento de investimentos, aquisição de equipamentos e expansão de actividades. Para as famílias, a diminuição das taxas pode, dependendo das condições dos bancos, melhorar o acesso a determinadas modalidades de crédito.
O efeito sobre a economia, no entanto, dependerá da rapidez com que a redução da taxa de referência for transmitida ao mercado.
BNA mantém atenção aos riscos
Apesar do corte, a política monetária continua condicionada pela evolução da inflação, do mercado cambial, da liquidez bancária e de outros indicadores macroeconómicos.
O BNA terá, por isso, de acompanhar se a descida dos juros ocorre num ambiente suficientemente estável para evitar o reaparecimento de pressões sobre os preços.
A redução para 14,75% representa, assim, mais um passo no processo de flexibilização monetária, mas não elimina a necessidade de acompanhamento permanente da inflação e das restantes variáveis que influenciam a estabilidade económica de Angola.










